
A Via Sacra da Rocinha é realizada na comunidade da zona sul do Rio de Janeiro há 24 anos. Os atores, moradores da própria Rocinha, ensaiam durante meses para a apresentação. Aurélio Mesquita, diretor do espetáculo, costuma mesclar temas políticos e situações do cotidiano com a vida e morte de Jesus Cristo. Este ano ele adaptou uma entrevista do rapper Emicida e utilizou trechos de algumas músicas do Chico Buarque.
Os cenários se misturavam com o cotidiano da Rocinha. Comerciantes e moradores parando para assistir o espetáculo. Atores se misturavam com drogaria aberta, anúncios de alugueis nos postes e interação com o público. Nada mais fora do comum para a Via Sacra da Rocinha, apesar do espaço limitado do Largo do Boiadeiro. Espaço aliás, muito bem aproveitado, utilizando boa parte do largo para os cenários. O público circulava com os atores num espaço mínimo, porque os moradores compareceram em peso.
Por falta de patrocínio, o espetáculo não percorreu pela favela, ficando apenas no Largo do Boiadeiro, parte baixa da favela. O contraste nisso é que a Via Sacra da Rocinha recebeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial da Cidade do Rio de Janeiro em setembro do ano passado. Um reconhecimento digno de uma atenção maior ao maior espetáculo da Rocinha.