O tabu do medo

image (1)Tabus são comuns em nossa sociedade, assuntos que são evitados muitas vezes por medo, constrangimento dão margem a falta de informação e em alguns casos geram um risco a população. O assunto que iremos abordar para uma reflexão é um tanto polêmico, porem de extrema importância.
É de conhecimento de todos que as drogas não são novidades em nosso sociedade, porem novos usuários entram nesse mundo todos os dias e com elas mergulham num mundo contraditório que mistura prazer e muito sofrimento. Resumidas muitas vezes no dia a dia de alguma pessoas como festivas, relaxantes ou estimulantes as drogas licitas ou ilícitas se escondem atras de anseios, angustias e ate mesmo indiferença no convívio social.

Discutir o assunto drogas em uma comunidade que por décadas foi “administrada” por traficantes gera um tabu cujas pessoas preferem não falar, não opinar, por ser totalmente contraditório aos interesses daqueles que até então eram os provedores dos anseios sociais da comunidade.
Mesmo com todas as mudanças que vem ocorrendo com a pacificação das favelas, discutir esse tema ainda é um tanto delicado porem necessário. Abordar, pensar, questionar e discutir tal assunto é de estrema importância quando pensamos nas crianças e nos jovens  que se tornam bem próximos de nos, quando percebemos que os mesmo são nossos filhos, sobrinhos, primos, vizinhos, amigos.

Apesar de saber que esse tema envolve toda uma parte criminal, a comunidade precisa ter um olhar projetado para o futuro e perceber que tentar mudar uma tragédia anunciada é possível sim, quando focamos no alvo certo. Não estamos aqui pra falar de trafico ou de crime, por isso iremos desvincular nossa discussão  dessa questão e tratar do assunto droga como uma questão de saúde publica, tendo em vista que a saúde mental e física de nossas crianças e adolescentes esta completamente comprometida.

A Rocinha é uma comunidade com muita diversidade cultural, com um comercio amplo, muito bem localizada, porem com um contraste muito claro entre riquezas e mazelas. A saúde púbica representada com a implantação de uma UPA, clinica da família e agentes de saúde, não é suficiente quando as reais necessidades da comunidade não são atendidas. A questão do uso e abuso de drogas e álcool estão matando os jovens da Rocinha de forma rápida e assustadora porem nada é feito nem pelo poder publico representado por instituições de saúde , nada é feito pelos representantes dos moradores, nada è feito pelos próprios moradores, que estão enterrando seus filhos mortos, algumas vezes após ataques epilépticos, convulsões, paradas cardíacas, acidentes, entre outros problemas graves de saúde que são gerados somente por um fator: uso de drogas e álcool.

image (2)A facilidade de comprar seja uma droga lícita ou ilícita e a falta de informação sobre estrago desse uso tanto na saúde quanto na vida social torna os jovens totalmente vulneráveis as consequências trágicas do uso das mesmas. Temos uma UPA que atende diariamente casos decorrentes do uso e abuso de drogas e álcool, óbitos constantes relacionados a isso, porem não existe uma comunicação direta entre órgão de saúde e moradores a respeito dessa problemática.

Abordar esse assunto é cobrar que órgãos de saúde evidenciem a gravidade dessa questão como um problema de saúde publica para que a implementação de ações de prevenção e atendimento sejam verdadeiramente colocadas em pratica é o caminho que os moradores precisam para tentar mudar essa realidade trágica que vem ocorrendo com crianças, adolescentes e jovens da região.
Nenhuma transformação social é imediata, porém sem que os moradores tomem consciência da real situação e verdadeiramente comecem a preocupar-se com a saúde dos jovens que está muito comprometida e afetada em meio a discursos políticos repetitivos, projetos que não atendem as necessidades da população e uma guerra urbana.
Em meio a tudo isso o nosso futuro esta tendo morte súbita, sendo enterrado, abafado e esquecido, em nome de interesses financeiros que beneficiam apenas aqueles que pouco se preocupam com o estrago que vem causando na vida dos moradores da Rocinha.

Fabiana Escobar

Nasceu e foi criada em Rio Comprido. Moradora da Rocinha, cursou Serviço Social na UFRJ. Blogueira e escritora, publicou sua biografia "Perigosa" e um romance "Linha Cruzada".

Fabiana Escobar

Fabiana Escobar

Nasceu e foi criada em Rio Comprido. Moradora da Rocinha, cursou Serviço Social na UFRJ. Blogueira e escritora, publicou sua biografia "Perigosa" e um romance "Linha Cruzada".

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1 Resultado

  1. Anto disse:

    Ole1 galera, semrpe serei um seguidor do conceito expressivo que e9 O Rappa. Je1 mandei mfasicas no de 2005 e estou pensando em voltar a tocar tambe9m, muitos amigos e inclusive minha esposa e minha me3e pede isso.Quero me espelhar novamente em letras que traduzem nosso cotidiano, bela volta e que sejamos semrpe bem vindos, todos aqueles que amam a mfasica!Van Hope ( ex-Banda Fortuna _ back/batera )

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