Meu nome é Favela

rocinha  segunda colocada em crescimento da populao no censo 2010

O Dia da Favela é celebrado no dia 04 de novembro e foi criado em 2006, a partir da Lei Municipal 4.383, data em que também é comemorado o dia do inventor.

Para falar sobre o que é favela é preciso falar sobre violência e altruísmo;

sobre hostilidade e hospitalidade;

sobre pobreza e churrasco “arregado” nas lajes e nos becos;

sobre pouca escolaridade e sabedoria popular;

sobre falta de infraestrutura e sobrevivência urbana;

sobre poder oficial e poder paralelo;

sobre subemprego e empreendedorismo empírico;

sobre preconceito e fraternidade;

para falar sobre favela é preciso falar sobre quem só conhece a favela pela mídia e aquele que a leva no coração.

Em tempos de responsabilidade social, a favela passou a estar na moda, ela está presente na grande mídia inclusive fora das páginas policiais, ainda que estas ainda sejam o “habitat tradicional”. Entretanto, muitos daqueles que falam e escrevem sobre favela pouco estiveram por lá. E por isso é vital que as mídias comunitárias sejam fortalecidas cada vez mais, a favela tem que ter voz e representação para reclamar seus direitos.

Quem fala e escreve sobre comunidade nunca vai saber o que é uma favela. O preconceito causa miopia e a simples troca de uma palavra pela outra não vai alterar a realidade. As favelas realmente ainda têm inúmeros problemas sociais, mas são compostas em sua imensa maioria por gente honesta, trabalhadora e culta. Culta sim! Para quem não mora em favela, saiba que lá se discute política, literatura, problemas sociais, e muitos artistas e ídolos brasileiros tiveram sua origem na favela.

A música produzida na favela merece destaque e os ritmos que lá nasceram ou se desenvolveram estão intrínsecos ao espírito brasileiro, e neste cenário destaca-se Bezerra da Silva, o embaixador dos morros e favelas, o verdadeiro malandro carioca.

O dia do inventor e o dia da favela se confundem, pois contornar as adversidades com criatividade faz parte da rotina da favela desde sua origem, no morro da Providência, no início do século XX.

 

Marcos Barros

Cria da Rocinha, jornalista, coordenador de comunicação e professor voluntário do Pré-Vestibular Comunitário da Rocinha. Atuante no FavelaDaRocinha.com desde 2010.

Marcos Barros

Marcos Barros

Cria da Rocinha, jornalista, coordenador de comunicação e professor voluntário do Pré-Vestibular Comunitário da Rocinha. Atuante no FavelaDaRocinha.com desde 2010.

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1 Resultado

  1. Mágno Almeida disse:

    Excelente texto contextualizando palavra verídicas! Honroso ler um artigo tao minucioso quanto esse! Parabéns Marcos pela forma explicita de expor o que realmente é uma favela, ao contrario do que se pensa a burguesia!

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