Fala Roça traz de volta o jornal impresso comunitário para a Rocinha

O jornal Fala Roça foi pensado justamente no público nordestino da Rocinha. Foto: Divulgação

O jornal Fala Roça foi pensado justamente no público nordestino da Rocinha. Foto: Divulgação

Depois de alguns anos sem um jornal comunitário circulando na Rocinha, o impresso Fala Roça preenche esse espaço e cai no gosto do morador. A publicação está na sua 6ª edição e a tiragem é de cinco mil jornais mensais. A equipe é formada por jovens moradores da comunidade: seis  permanentes e cinco voluntários.

O jornal Fala Roça é o desdobramento de um outro projeto que já fazia sucesso na comunidade, o website Viva Rocinha. Os seus idealizadores, os irmãos Michel e Michele Silva que escreviam para o site pensavam em criar um jornal, mas não tinham verba. Michel se inscreveu para a Agência de Redes Para Juventude e recebeu o prêmio de R$10 mil, após análise de todos os projetos de 2012. Foram três projetos vencedores, entre eles o Jornal Fala Roça.

Segundo estimativas, cerca de 70% dos moradores da Rocinha são descendentes de nordestinos ou nasceram nessa região. Essa informação foi importante durante o processo de criação do jornal. Por isso, a ideia apresentada era de criar um material voltado para cultura nordestina na Rocinha. Isso é o que o diferencia dos anteriores que circularam na comunidade, dar enfoque a essa cultura tão presente dentro da favela. Michel Silva, idealizador do projeto, afirma que o jornal assumiu uma linha editorial mais cultural, mas as questões sociais estão presentes também nas páginas. “Manter a circulação do jornal é importante porque ainda existe dificuldade na distribuição das informações na Rocinha. No entanto, o Fala Roça também atua com memória social, por isso, é importante valorizar a memória e a cultura da favela”, explica Michel.
Entregar os exemplares de porta em porta é um dos maiores desafios do projeto. Foto: Divulgação

Entregar os exemplares de porta em porta é um dos maiores desafios do projeto. Foto: Divulgação

A publicitária Michele Silva que atua no jornal coordenando as contas diz que quando entregam os jornais na casa das pessoas ouvem muitas histórias e toma vários cafés em um dia

– “Decidimos dar enfoque na cultura nordestina para valorizá-la e poder salvar esses relatos de alguma forma”, diz Michele.
No início, a maior dificuldade era o financiamento. Michele afirma que por conta de alguns gastos desnecessários só foi possível pagar as duas primeiras edições do jornal. Hoje a dificuldade é outra. “O nosso grupo é unido, mas nós precisamos que entrem mais pessoas fixas para ajudar na produção e na distribuição do jornal. A rotatividade de gente ajudando tem sido muito grande. Raramente alguém que entra consegue completar um ano na função”, lamenta Michele.
Uma equipe unida permite que a entrega seja realizada regularmente. Os próprios jornalistas e integrantes do Fala Roça que a concretizam. De porta em porta, cada uma das cinco mil cópias dos jornais são entregues. Os locais que recebem atenção especial na hora da entrega são as regiões da Rocinha mais afastadas da Estrada da Gávea, como Macega, Rua 1, Rua Dionéia, Roupa Suja e Laboriaux.  “A gente vai à casa das pessoas e muitas delas não têm acesso a informação, a não ser pela televisão, que é uma informação diversa, que não é focada no dia a dia delas. A gente vê valor em levar isso para a casa delas. As pessoas ficam felizes quando vê alguma coisa no jornal que faz parte do seu cotidiano cotidiano”, afirma Michele Silva.
A meta hoje, segundo Michele, é oficializar o jornal, para assim poder receber verba de grandes anunciantes, capacitar-se para obter independência na produção do jornal e futuramente poder contratar pessoas para atuar no Fala Roça.

Flávio Carvalho

Fotógrafo desde 2009, músico e jornalista formado pela PUC-Rio. Mora na Rocinha desde que nasceu.

Flávio Carvalho

Flávio Carvalho

Fotógrafo desde 2009, músico e jornalista formado pela PUC-Rio. Mora na Rocinha desde que nasceu.

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