Cineasta equatoriana faz filme com ONGs e grava em comunidades do Rio

A cineasta Jhoselyn Escobar visitou polo atendidos pela ONG Favela Mundo -(foto: Cacau Fernandes / Divulgação)

Pessoas envolvidas na promoção de desenvolvimento social em sua comunidade. A ação do indivíduo com olhar para o coletivo inspirou a cineasta equatoriana Jhoselyn Escobar a produzir o documentário “Mi gente”. Por meio de fundações de cinco países latinos (Brasil, Chile, Colômbia, Equador e Uruguai), a cineasta, formada em Relações Internacionais, reforça a própria identidade cultural e apresenta necessidades e belezas de comunidades. Jhoselyn fala de seu trabalho e das experiências ao lado de projetos como o da ONG Favela Mundo, brasileira selecionada para o documentário. Durante as gravações, em outubro do ano passado, a equipe visitou quatro polos cariocas atendidos: Rocinha, Cidade de Deus, Thomás Coelho e Piedade.

Como surgiu a ideia para o documentário?

Há alguns anos, enquanto estava numa conferência das Nações Unidas, encorajava-se os millenials a fazerem sua parte da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Foi quando a ideia de “Mi gente” começou a ser preparada. Naquele momento eu estava lendo dois livros fantásticos: “Metade do céu”, de Nicholas Kristof ;e “Como mudar o mundo”, de David Bornstein. Pensei que se todos lessem esses livros e se inspirassem como eu, seria uma mudança positiva no mundo. Mas nem todos gostam de ler, então busquei uma maneira que facilmente atingiria as pessoas. Os vídeos fariam esse papel. Esses livros contam histórias de ONGs e do trabalho que fazem. Para “Mi gente” queria focar mais nas comunidades e nas pessoas que estão lutando por desenvolvimento.

Cinco países foram escolhidos para o filme. O que têm em comum? E o que a levou a escolhê-los?

Todos têm belezas incomparáveis, ao mesmo tempo com grandes problemas de desigualdade e corrupção. O mais importante é que têm pessoas maravilhosas cheias de esperança e coragem para mudar o país para melhor.

Como conheceu a ONG Favela Mundo? E como foi a experiência aqui?

Enquanto eu estava na conferência das Nações Unidas conheci o Marcelo Andrioti, diretor e fundador da ONG, numa feira de oportunidades. Eu brinquei que um dia o visitaria. Segui o trabalho da Favela Mundo desde esse dia, pois fiquei fascinada com o trabalho que fazem lá. Você pode ver facilmente a verdadeira felicidade das crianças. Eu pensava que o trabalho era incrível, após visitá-los e ver todos os esforços, posso facilmente dizer que a Favela Mundo é um modelo para ONGs. Foi um privilégio conhecê-la.

Você visitou quatro pontos no Rio. Como estrangeira, em cada um pôde perceber suas particularidades?

Estive em muitos lugares de status sociais diferentes. Vi pobreza e passei por situações perigosas, mas visitar as favelas foi de certo modo uma experiência inesperada. Para entrar, lembro-me de ter que abrir as janelas, acender a luz e ir devagar. Diferentes favelas têm regras diferentes. Você pode facilmente ver que cada lugar tem sua vibração em sua própria cultura. Isso pode ser visto na arte de rua. Eles são governados por um microgoverno. Esperava ver falta de desenvolvimento. Mas encontrei uma comunidade adorável. As pessoas rindo e felizes, crianças correndo próximas à escola abraçando umas às outras.

Quais foram suas impressões sobre o Rio?

O Rio é um paraíso. As lindas praias, as montanhas coloridas, a gastronomia deliciosa e as pessoas amáveis fazem da cidade um lugar especial, e espero retornar logo. O que me impactou foi a grande diferença vista nas classes sociais, em que ricos e pobres vivem basicamente no mesmo bairro e aproveitam das mesmas praias. A meu ver isso é um grande esforço na luta para acabar com as diferenças sociais.

O que pode dizer sobre o seu tempo na Cidade de Deus? E na Rocinha?

Quando visitei as duas favelas havia uma crescente onda de violência. No entanto essa não é minha memória principal desses lugares. Na Rocinha eu conheci algumas mulheres talentosas que estavam em workshops da Favela Mundo, muitas usando suas habilidades para complementar a renda familiar. Isso foi inspirador para mim. Na Cidade de Deus, crianças me abraçavam e me beijavam. Foi pura alegria. Meu coração estava tão contente, e essa é provavelmente minha melhor lembrança de toda a experiência filmando “Mi gente”.

O que buscava quando escolheu as organizações para o documentário?

Eu queria escolher organizações sul-americanas com fundações sólidas e que merecem um próximo passo. Meu desejo é que “Mi gente” dê a eles publicidade o suficiente para poderem receber a ajuda que precisam e continuarem. Essas organizações lutam por desenvolvimento em educação, igualdade de gênero e proteção animal e ambiental. Eu queria abranger tópicos diferentes, dependendo da necessidade de cada país.

Matéria de O Globo clique aqui

FavelaDaRocinha

Site de comunicação comunitária desenvolvido por estudantes de comunicação da própria comunidade da Rocinha.

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