A Rocinha não é um lixo

Rua 2 é um dos locais com maiores problemas de lixoComo uma das maiores favelas da América latina, a Rocinha também lidera no ranking dos lugares que mais produzem lixo do Rio de Janeiro. A produção diária na comunidade daria para encher o estádio do Maracanã. Ruas estreitas, becos, construções desorganizadas são alguns dos fatores que contribuem para que a Rocinha seja um dos locais mais sujos da cidade maravilhosa. A coleta insuficiente feita pela Comlurb e a falta de educação dos moradores são os maiores responsáveis pelo acúmulo de lixo nas ruas da Favela.

Na subida pelas principais vias de acesso, é possível ver moradores e donos de estabelecimentos despejando, a céu aberto, todo tipo de lixo sem a menor preocupação do que possa acontecer com as pessoas que transitam pelo local. A falta de locais apropriados para jogar o lixo também é um dos grandes problemas para população local. Poucos são os lugares demarcados pela prefeitura onde os moradores podem despejar o lixo doméstico e os entulhos. A quantidade de caçambas coletoras é insuficiente para o volume de lixo produzido pela comunidade. Lata de lixo é praticamente inexistente.

Sem opções, os moradores jogam o lixo em qualquer lugar e não tem consciência dos problemas que o lixo pode trazer para a comunidade e para os visitantes. O mau cheiro e o chorume, lama que sai do meio do lixo, são constantes na rotina dos moradores, que já consideram esse “crime ambiental” como normal diante de tanto lixo acumulado em muitos lugares da Rocinha. Alguns moradores nem ao menos sabem que em contato com o chorume podem pegar doenças como Hepatite, Cólera, Diarréia e até mesmo Leptospirose, doença causada pela urina dos ratos atraídos pelo lixo.

Moradores da Cachopa convive com o lixo todo dia na porta de casa.Apesar do risco de contaminação, muitas pessoas reviram o lixo sem proteção adequada, algumas até sobrevivem coletando materiais reaproveitáveis e vendem a empresas de reciclagem por um valor “simbólico”, já que não existe nenhum convênio da prefeitura com catadores e empresas que trabalhem com o tratamento do lixo.

Jorge Collaro, administrador regional da Rocinha, disse que a coleta de lixo é feita diariamente em vários turnos, inclusive, durante a madrugada por máquinas adequadas para um lugar com ruas estreitas e subidas íngremes. Os becos e vielas são limpos pelos garis comunitários, entretanto, o número de trabalhadores é insuficiente para a quantidade de lixo produzido. Collaro falou ainda que não exista nenhum tipo de convênio com cooperativas de catadores ou empresas de reciclagem. “A Rocinha produz 85 toneladas de lixo por dia e a coleta é mais cara que a do Leblon” disse Jorge Collaro.

Até o fim do ano serão colocadas caçambas de lixo ao longo da estrada da Gávea, principal rua da comunidade, melhorando o escoamento das águas das chuvas e diminuindo o acúmulo de entulhos e sacos de lixos nas calçadas e becos. Também será realizado um projeto de conscientização em parceria com a Comlurb. Collaro ainda fez um pedido aos moradores da Rocinha: “joguem o lixo nos locais determinados e não nos caminhos aonde as pessoas circulam. Educação e conscientização é a base para que uma cidade ou bairro sejam limpos e organizados”.

Prefeitura e comunidade trabalhando juntos é o caminho certo para um futuro de cidadãos educados e conscientes, de que jogar lixo na rua pode causar grandes problemas como doenças e enchentes. Afinal a Rocinha sempre esteve nos primeiros lugares do ranking de muitas coisas ruins, e com o PAC dando o pontapé inicial, é hora dos moradores se unirem e andarem junto com essa mudança, só assim a comunidade se tornará mais limpa e terá um primeiro lugar no ranking que possa dar orgulho aos moradores.

Alexandre Cruz

Formação Técnica em Processamento de dados e superior em Jornalismo. Trabalha atualmente como Supervisor na Empresa "LM Serviço de Tecnologia da informação e Comunicação LTDA". Atuante no site desde 2008 publicando notícias factuais e cobertura de eventos.

Alexandre Cruz

Alexandre Cruz

Formação Técnica em Processamento de dados e superior em Jornalismo. Trabalha atualmente como Supervisor na Empresa "LM Serviço de Tecnologia da informação e Comunicação LTDA". Atuante no site desde 2008 publicando notícias factuais e cobertura de eventos.

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