A Rocinha é a síntese do Brasil – afirma o governador Sérgio Cabral em inauguração da UPP Rocinha

Policiais são apresentados aos moradores na inauguração da UPP RocinhaDia 20 de setembro de 2012 promete ser um dia histórico para a Rocinha. Dez meses após a ocupação militar e a 17 dias das eleições municipais, a comunidade recebe a Unidade de Polícia Pacificadora (UPP). Após mais de 30 anos de exclusão social, o governo pretende permanecer definitivamente na favela. Entretanto, a população, que já foi submetida a todos os tipos de intimidação e abusos de traficantes – do Dênis da Rocinha (preso em 1987 e morto em 2001) ao Nem (último chefe, preso em 2011) – ainda se mantém receosa.

Além do Governador Sérgio Cabral e sua comitiva, esportistas como Zico e Flávio Canto estavam presentes. Apesar de serem proibidos de participarem de inaugurações por ser época de eleições, diversos candidatos a vereadores também compareceram.

– Antigamente a polícia era invasora. Nesse episódio recente, no qual perdemos um policial, foi o contrário, o bandido é que tentou invadir a Rocinha. A polícia vai ficar para sempre aqui, como está em São Conrado, como está no Leblon – afirmou Cabral referindo-se ao policial morto uma semana antes.

Apesar da comparação, os moradores que antes eram submetidos à ostentação de fuzis por parte dos traficantes ainda terão que conviver com eles, desta vez nas mãos da polícia, o que não ocorre nos bairros mais ricos e contribui para manter o clima tenso. Além disso, algumas viaturas policiais transitam em alta velocidade contribuindo para piorar o trânsito caótico na comunidade, que apesar do seu tamanho e da numerosa população não possui um único semáforo.

A UPP ficará a comando do major Edson Raimundo dos Santos e contará com 700 policiais militares e 12 motocicletas. Além disso, esta será a primeira vez que a PM utilizará um sistema com 100 camêras espalhadas pela favela e uma central de monitoramento com localizadores por GPS capaz de informar onde está cada um dos policiais. A sede da UPP será no no Parque Ecológico, área conhecida como “portão vermelho”, na parte alta da comunidade.

Apesar da desconfiança dos moradores, todos os 13 homicídios que ocorreram na Rocinha no último ano foram esclarecidos pela Polícia Civil, com a ajuda da população local, através de denúncias.

Em seu discurso, Cabral lembrou que o tráfico  está desestruturado e que os bandidos que ainda se encontram na Rocinha não têm o apoio de outros de fora da comunidade. E desejou que, daqui a alguns anos, os moradores esqueçam o câncer que é o poder paralelo.

Flávio Carvalho

Fotógrafo desde 2009, músico e jornalista formado pela PUC-Rio. Mora na Rocinha desde que nasceu.

Flávio Carvalho

Flávio Carvalho

Fotógrafo desde 2009, músico e jornalista formado pela PUC-Rio. Mora na Rocinha desde que nasceu.

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