A injustiça dos vencedores

Leoni

Leoni

Cantor e compositor. Fundou as bandas Kid Abelha e Heróis da Resistência. Em carreira solo há 20 anos, é um entusiasta da internet e luta pela liberdade de compartilhamento na rede.

1 Response

  1. Luiza disse:

    Oi, Leoni.
    Moro no Rio de Janeiro, tenho 30 anos, sou filha de pais deficientes visuais que se conheceram no Benjamin Constant e a paixão de ambos pela música os conectou. Herdei deles o amor (e talvez o talento) para a música, mas a vida me levou para outros caminhos. Estudei Pedagogia, trabalhei na escola, e hoje atuo na área de recursos humanos em uma grande empresa. Tudo caminhava bem, uma carreira promissora, casa, marido, planejamento de filhos, talvez uma casa maior, um carro melhor, um cachorro, férias na Disney… quando despertei e desencadeei uma “crise” que culminará com a ruptura de tudo o que venho vivendo até então. Estou neste processo de me descobrir, entender quem sou, o que eu gosto de verdade, o que pretendo fazer nos próximos anos da minha vida e tentando resgatar as minhas raízes.
    O fato é que, além da música, tenho outra grande paixão – a grafia. Sempre gostei de me comunicar através da escrita, e fotografar – registrar impressões, visões diferentes sobre as coisas triviais, o desejo de encontrar algo que não está explícito, mas é repleto de significados, se não para os outros, mas para mim. A necessidade constante de me comunicar, através de palavras ou imagens, aliada ao fato de gostar de me relacionar com pessoas, ouvir e contar histórias, buscar novas formas de comunicação, diferentes linguagens, significados implícitos, e ser extremamente curiosa, querer conhecer um pouco de tudo e ter o pensamento transdisciplinar (vejo relação entre todas as áreas do conhecimento. Para mim, são diferentes traduções da mesma coisa) me levou à Educação e à Arte.
    Este olhar diferente sobre a mesma coisa foi o que sempre me motivou também a fotografar. Desde que resolvi pegar a “contramão”, estou me dedicando a fazer coisas que amo sem objetivo profissional ou financeiro. Uma delas foi fazer um curso de Fotografia, que comecei no último sábado no Ateliê da Imagem. Embora ainda não tenha conhecimento algum sobre o tema, posso dizer que me reconheço enquanto “fotógrafa”. E digo isso porque acredito que antes das profissões existirem, antes da escola existir, dos livros, da tecnologia, da fotografia, ou até mesmo da grafia, o registro do sentimento através da imagem já existia (os escritos rupestres são exemplos disso).
    Talvez o meu dom não seja nem pra música e nem pra fotografia, mas o fato é que eu preciso experimentar pra descobrir. Estou disposta a ir em busca disso, e sei que por onde for levarei a minha música e o meu olhar sensível e atento sobre as coisas do mundo. Penso que o fato de eu ter nascido “vidente” (como os cegos chamam as pessoas que enxergam) seja um grande presente e, como agradecimento, busco valorizar este sentido.
    De qualquer forma, se este email não voltar, ou se se perder no infinito cibernético, quero lhe agradecer por nos presentear com as suas visões, com a sua música, com a sua causa. Obrigada por ser tão inspirador com as suas palavras. Obrigada por compartilhar você conosco.

    Um beijo,
    Luiza.

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