Música, poesia, comunicação e Rocinha!

Meu nome é Rafaela Andrade, tenho 21 anos, sou paulista e filha de baianos, cheguei na Rocinha quando tinha 9 anos. Sempre fui tímida e por sempre mudar de cidade, umas três, tinha dificuldades para me adequar e fazer amizades. Lembro-­me do primeiro dia em que cheguei à Rocinha, não sabia que passaria por tantas experiências e aprendizados, meus pais sempre trabalharam para que minha formação e a do meu irmão pudesse ser a melhor possível.
Aos 11 anos comecei fazer aula de canto na Escola de Música da Rocinha (EMR), queria balé, mas na época não havia vagas e meus pais não podiam pagar aula particular. Foi através do canto que pude descobrir minha sensibilidade musical. Saí da escola de música e busquei novas experiências em grupos de dança na igreja, apesar de ter me distanciado do campo musical hoje tenho uma paixão por instrumentos musicais.
Meu primeiro instrumento foi uma flauta, brinquedo que minha mãe comprou. Comecei a aprender sozinha e incentivada pelo meu pastor, toquei algumas vezes na Viver em Cristo, igreja a qual frequento. Entretanto, o instrumento que me encantou foi o violino, mas meus pais não podiam pagar pelas aulas e, por ser sofisticado, era difícil de aprender sozinho. Contudo, de tanto eu insistir, meu pai me presenteou com um violino, mesmo desacreditando que poderia aprender sozinha, mas, minha vontade de aprender era maior e eu aprendi! E ainda estou aprendendo, a internet contribuiu, mas a minha força de vontade foi essencial.
Em 2009, passei as férias na casa da minha avó em Itapetinga, interior da Bahia, e não esperava ficar um ano por lá. No começo foi bom reencontrar tantas pessoas, mas ao decorrer de dois meses comecei a sentir saudade da Rocinha. E quanta saudade eu senti! Não me identifiquei com o lugar, pois já havia acostumado com a capital, além disso, no interior da Bahia a situação socioeconômica é baixa. Pude adquirir muitas experiências passando por situações que me fizeram refletir sobre o mundo e a vida, comecei a me isolar e ler livros, o que foi bom, porque descobrir que gostava de ler e escrever, e comecei a escrever poesias.
Após um ano voltei para a Rocinha e entrei no ensino médio, foi mais um processo de descoberta. Em 2011, quando ainda estava no 3° ano, comecei a fazer o Pré-­Vestibular Comunitário da Rocinha ­ PVCR. Prestei vestibular durante dois anos e meu foco era Comunicação Social, na PUC­Rio. O PVCR foi muito importante na minha formação, tanto me ajudou didaticamente, quanto no meu amadurecimento social e intelectual. O PVCR ampliou minha visão sobre questões sociais e fui construindo uma reflexão sobre o mundo. Dentre inúmeros aprendizados, entendi que o professor fornece 10% e os 90% o aluno é quem busca, se esforçando. Após dois anos de preparação ingressei na PUC­Rio, em agosto de 2014, para meus pais foi motivo de orgulho e satisfação devido às tantas dificuldades que enfrentamos, e para mim era um sonho realizado e uma porta que se abria, eu sei que haverá muitas outras e um caminho longo a percorrer.

Rafaela Andrade

Estudante de Comunicação Social na PUC-Rio. É paulista e admiradora da música instrumentista. Tem 21 anos e mora na Rocinha.

Rafaela Andrade

Rafaela Andrade

Estudante de Comunicação Social na PUC-Rio. É paulista e admiradora da música instrumentista. Tem 21 anos e mora na Rocinha.

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1 Resultado

  1. Maila disse:

    Prima, você deu a volta por cima, orgulho que temos de ti. Parabéns!!

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